
Olhos que se comunicam, bocas que não se entregam, mãos que se policiam ao se tocarem, corpos que esquentam e vibram com o contato um do outro, pessoas que se desejam sem medo, mas em segredo.
A presença é inconveniente e faz bem, as palavras são doces e de admiração, mas abrem uma fresta no peito de quem as ouve, nada podendo dizer para responder, questionar, agradar.
Palavras que não saem, atitudes alienadas por não terem energia para dar o próximo passo, a respiração pára, causada pelo choque da proximidade dos olhos, do corpo, da boca.
Um hálito doce que amarga a boca, uma respiração quente que gela a alma, uma voz doce que arrepia a espinha, um toque suave que causa paralisia do corpo, do coração e da alma. Algo se congela, mas ao ver um simples sorriso esquenta e faz queimar, um calor suportável e gostoso.
Almas que seguem rumos e direções opostas, que não querem se encontrar por não saber o que virá após esse contato que será inevitável em algum momento.
Uma simples imaginação faz o futuro chegar, o passado para recordar e o presente um destino, a ansiedade que predomina é como loucura, faz surtar e capacitar para as mais incríveis loucuras intencionais.
Uma ligação muito forte, que puxa para perto como se fosse um imã, uma força que arrebata, que torna frágil e imbatível, vontade e desejo que não é de corpo,que não é de prazer,que é de alma, duas almas que se condicionam, se desencontram, que vivem numa busca incansável pela parte que a complete, almas que se pertencem desde a eternidade.
Um mistério a ser descoberto, uma verdade a ser vivida, um segredo a ser revelado, almas que buscam se completar, corpos preparados para serem tocados, bocas que anseiam por um beijo, mãos vazias ofegantes pelo toque suave e quente da pele.
Vidas que se pertencem, que já se encontraram, mais ainda não se permitiram, cumprir o plano principal, que é completar uma a outra.
Cinthia Almeida.


