terça-feira, janeiro 31, 2012

Mas deixe seu rastro em polén, Flor, pra eu poder te seguir.


Entre tantas flores, tu foste a escolhida, tão bela e solitária em um canteiro a beira da estrada, quase nem era notada em meio a tanta poeira que os automóveis apressados jogavam, por conta do atrito das rodas com o chão de barro avermelhado.

Quase não passavam pessoas caminhando por ali, por aquela região, era mesmo deserto e parecia pouco seguro para alguém sozinho.

Então, enquanto caminhava pensativa e desatenta, me perdi em meio a tantas ruas que agora desconhecia, numa noite de lua incontestavelmente iluminada e caminhando quase enlouqueci, era ameaçador continuar andando, so que era muito mais medonho parar ali, não sei se tinha mais medo de alguém maldoso me encontrar, ou de ficar por algum tempo tendo somente a solidão como companhia...

Até te encontrar, já adormecida, mas não menos interessante por isso, então parei, tive a impressão de que horas se passavam dentro de cada segundo meu a te observar. Estava tão escuro que mal podia te ver, queria saber sua cor, e porque vivia ali tão distante de tudo, num lugar que quase ninguém conhecia. Os carros passavam e mesmo com a luz de seus faróis mal podia enxergá-la. Precisava seguir e encontrar meu caminho, mas não conseguia dar um só passo adiante, não conseguia me afastar, sobrava em mim um instinto estranho de protegê-la.
As horas se passaram e eu nem piscava, não queria perder o momento em que te veria acordar, queria sorrir pra você e o fiz, no momento em que o sol saiu de traz das nuvens e te iluminou, você desabrochou, parecia que se espreguiçava. Pude constatar que todo perigo que eu havia corrido naquela última noite valera a pena, você, ó Flor, era de uma beleza atormentadora, te sorri e você correspondeu, exalando um perfume nada comum, era amadeirado e embriagador.

Me dei conta de quanta loucura havia cometido até ali, por ti, por mim, pra te conhecer... Descobri porque tu vivias, ali, sozinha, não precisava de mais nenhuma flor ao seu redor, sua presença se fazia necessariamente única naquele canteiro, em qualquer jardim do mundo e agora na minha vida.